
- Seus olhos abstratos, saltados, embotados de vida, como flâmula de nação sofrida, já diziam tudo.
Não os olhos. Seu pulsar.
Pulsavam, os olhos, sem nenhuma razão profundamente clara. De certo que fossem folhas secas, que sem vida, levitam pela graça do vento.
E o vento era a vida, o sofrer. Nenhum espelho era capaz de rebuscar a tristeza, a dor. Via-se refletido apenas o símbolo, não o signo.
E o sígno era tão inexplicavel quanto retórico e reticente. E a vida era reticente. Colhia-se uma e outra historinha, e ia-se compondo com e sem maestria um frangalho de histórico.
Já que suas decisões eram já previstas como cartas que não seriam lidas, não seriam sequer enviadas - não as tomava. E passou a tomá-las com o passar do tempo. Já que cartas, cedo ou tarde são abertas.
E como num súbito e recontido encostar dos pólos. Tomou decisão. E tomou muitas outras coisas. E a flâmula desceu, sem hino.
Folhas pararam de levitar, o abstrato do olhar se converteu em palpebras cerradas. Os olhos saltados embotados de vida tornaram-se cinzentos, embotados de morte.
(Andriel Coutinho)

